"Acordamos no mesmo quartinho após um sono profundo de crianças bem comportadas, com o som suave do vento trespassando as casuarinas e o ritmo brando e adormecido das ondas a baterem na praia. Corremos com as pernas nudadas até à praia, que está macia, lisa e resplandecente com as conchas frescas e húmidas deixadas pelas marés nocturnas.
Nadar de manhã tem para mim a natureza de uma bênção, de um baptismo, de um renascer para a beleza e o milagre do mundo. (...)
A libertação da escrita é tão incrível que, por vezes, nos esquecemos de nós, nos esquecemos de quem está connosco, esquecemos onde estamos e o que vamos fazer a seguir - mergulhamos em trabalho da mesmoa maneira que mergulharíamos no sono ou na mar. (...)
Caminhamos pela praia adiante em silência, mas em harmonia, enquanto maçaricos se vão movimentando à nossa frente, como um corpo de bailado, ao som de algum ritmo interno que nos é inaudível. A intimidade, leva-a o vento. As emoções são arrastadas para o mar. Estamos livres até de pensamentos, ou pelo menos da sua articulação; limpas e expostas como madeira esbranquiçada a baloiçar so sabor das ondas; vazias como conchas, prontas para sermos de novo preenchidas pela impersonalidade do mar, do céu e do vento. (...)"
Nadar de manhã tem para mim a natureza de uma bênção, de um baptismo, de um renascer para a beleza e o milagre do mundo. (...)
A libertação da escrita é tão incrível que, por vezes, nos esquecemos de nós, nos esquecemos de quem está connosco, esquecemos onde estamos e o que vamos fazer a seguir - mergulhamos em trabalho da mesmoa maneira que mergulharíamos no sono ou na mar. (...)
Caminhamos pela praia adiante em silência, mas em harmonia, enquanto maçaricos se vão movimentando à nossa frente, como um corpo de bailado, ao som de algum ritmo interno que nos é inaudível. A intimidade, leva-a o vento. As emoções são arrastadas para o mar. Estamos livres até de pensamentos, ou pelo menos da sua articulação; limpas e expostas como madeira esbranquiçada a baloiçar so sabor das ondas; vazias como conchas, prontas para sermos de novo preenchidas pela impersonalidade do mar, do céu e do vento. (...)"
Anne Morrow Lindbergh
Dádivas do Mar
Ed. Livros de Seda
Dádivas do Mar
Ed. Livros de Seda